DISTRAINT é uma experiência imersiva de terror psicológico em 2D, com gráficos tão belos quanto perturbadores e uma trilha sonora densa.
Trata-se de um jogo bem rápido, com puzzles simples e um enredo melancólico. Aqui você encarna na pele do jovem Price, um competente funcionário de um escritório de advocacia que executa ordens de desapropriação para devedores e afins. O sonho do Price é firmar uma sociedade com os três proprietários desse grande escritório, e para isso, ele não apenas intima as pessoas à saírem dos imóveis, como também cruza as linhas éticas que existem em seu ofício.
O interessante é que o Price desde o início enfrenta o peso da própria consciência (o que inclui a forma metafórica de um gigantesco elefante na sala). O jogo deixa explícito que ele não é alguém "mau", e nem desprovido de empatia, mas alguém que deixou sua coerente ambição por uma vida melhor se transformar em uma ganância fatal, e que não consegue mais recuperar as rédeas da própria vida. O foco da trama não é um discurso demagógico contra "ganhar dinheiro", mas sobre como alguns limites não devem ser cruzados, e como a nossa integridade, tal como um músculo, pode atrofiar quando não praticada.
DISTRAINT acima de tudo é um ensaio sobre a instrumentalização da vida humana, e sobre perder o protagonismo da própria existência.